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COMUNICAÇÃO CORPORATIVA

Efeito pandemia – Saiba porque a COMUNICAÇÃO é a “bola da vez”​ para recrutadores e empresas

A comunicação está passando pelo tapete vermelho das competências e seguindo em direção à lista das habilidades mais admiradas pelos empregadores. Os líderes de grandes corporações conseguiram, a partir da criatividade das equipes de comunicação, tornar as empresas mais comunicativas durante o cenário do surto pandêmico.

Mas, não é só isso. Podemos dizer que a comunicação está saindo dos rincões das decisões corporativas estratégicas, que eram adotadas por alguns e não por todos, e tem seguido rumo ao topo, para ganhar o Oscar das habilidades mandatórias para a continuidade dos negócios e, por isso, tornando-se uma das competências mais desejadas.

Hoje, investir na comunicação profissional e corporativa é uma questão de sobrevivência

A comunicação tem se mostrado como um dos principais focos de desenvolvimento da criatividade de empresas e profissionais que buscam superar os desafios ocasionados pela pandemia. Por quê? Porque a competência para comunicar se tornou um valor que se valoriza, glamour. Um valor fundamental para os líderes e empresas transformarem a crise causada pela COVID-19 em uma oportunidade reputacional e de mercado.

Desde o fim de 2018 e até o ano passado, as tendências apontavam a criatividade como uma das principais competências procuradas pelos empregadores para 2020. Dentro do discurso da economia criativa estava o argumento de que os recrutadores buscam por profissionais com domínio das ferramentas tecnológicas e que pensem “fora da caixa”, ou seja, aqueles executivos que descartam o óbvio e usam a imaginação para solucionar problemas existentes.

O fato é que o problema comum a todos nós hoje é a forma inusitada que a crise, gerada pela pandemia, afeta cada setor e tipo de negócio. Cada empresa está sendo tocada de um modo distinto, favorável ou desfavorável. A comunicação se tornou uma questão fundamental para as empresas lidarem com os efeitos em dominó que são diariamente apresentados e ainda são sem precedentes. Os manuais não dão conta de oferecer uma resposta padrão.

Segundo o site do Instituto Brasileiro de Coaching, o IBC, a criatividade “nada mais é do que a capacidade do ser humano de construir algo inédito e original, mas com um objetivo em vista. Ela é proveniente da busca por uma solução inovadora”. Uma notícia da homepage do IBC aponta que uma das principais metas do profissional criativo é inspirar tendências e superar limites. E estas características da criatividade são típicas de um executivo de perfil adaptativo que é outra qualidade extremamente demandada nestes tempos pandêmicos.

A partir da pandemia, os líderes de perfil adaptativo foram desafiados a usar todo o seu potencial criativo para inspirar os colaboradores e as suas equipes a superarem limites nunca antes vistos. As lideranças dependeram da comunicação para poderem garantir a gestão dos negócios. E por meio das plataformas e veículos de comunicação, os executivos precisaram dar mais visibilidade ao seu próprio papel e valorizar o seu propósito dentro e fora das empresas.

Assim, desde que o isolamento social se tornou uma limitação, causada forçadamente pela pandemia do novo coronavirus, iniciou-se um processo sem precedentes de busca por soluções para este problema coletivo de interação.

Este limite de mobilização física e participação presencial estimulou a adoção das políticas de trabalho remoto e de contato virtual, principalmente para os trabalhadores que ocupam posições de executivos nas empresas. Os líderes das organizações tiveram que usar da sua criatividade para mostrar confiança e ganhar autoridade. E a comunicação foi necessária para atingir este objetivo.

Assim a comunicação profissional corporativa tem sido mais valorizada e estimulada a partir da pandemia. Esta valorização aconteceu quando as empresas decidiram disponibilizar para as equipes de comunicação interna e externa toda a infraestrutura tecnológica. Depois, as empresas passaram a priorizar o uso das ferramentas virtuais, de plataformas tecnológicas e de seus recursos para promover conteúdos relevantes e o seu diferencial competitivo. Foi quando surgiram as reuniões em webinars, o uso de vídeos gravados e veiculados nas redes digitais, as videoconferências e a participação de executivos em cursos e outros eventos virtuais e lives.

No entanto, estas soluções não teriam sido úteis, não fossem os profissionais da área de comunicação e a dedicação dos colaboradores mais comunicativos que tomaram a frente destas iniciativas. Foram eles que usaram da criatividade humana para explorar as formas de comunicação mais eficazes durante o cenário pandêmico. Foram eles que agiram no sentido de “vender as empresas” a partir da exposição da sua imagem e voz. Empresas e profissionais precisaram demonstrar a habilidade de se conectar à distância com o mercado.

A comunicação passou a ser fundamental para a manutenção da continuidade dos negócios à distância e para criar e manter os elos entre empresas e clientes, para garantir a eficácia da gestão das empresas para engajar os colaboradores.

Uma pesquisa recentemente divulgada pela imprensa e realizada pelo LinkedIn apontou que os empregadores agora buscam por profissionais que saibam comunicar. A pesquisa lista acomunicaçãona primeira posição do ranking das habilidades mais procuradas pelas empresas. A plataforma não foi a única a destacar esta competência. Desde 2019, a consultoria Robert Half indicava a comunicação no topo da lista de competências a serem desenvolvidas, para que os executivos possam traduzir questões técnicas de suas áreas para diferentes públicos. No entanto, a comunicação profissional corporativa não é uma questão somente de aptidão.

 Ser um bom comunicador não é o mesmo que ser um porta-voz competente

A comunicação é parte da nossa característica de entes sociais que compartilham o que é comum. Neste sentido, ela é de algum modo, usada por todos nós. Mas a comunicação, enquanto uma competência, não é uma espécie de dom divino, ou uma determinação da natureza, ou da personalidade. Pelo contrário.

Durante a minha carreira enquanto comunicadora no mundo corporativo, tive a oportunidade de treinar mais de 4 mil porta-vozes. Quando se entende a comunicação em contextos empresariais, a capacidade de comunicar necessita muito mais do esforço do que somente do dom. Um porta-voz corporativo para existir necessita que a empresa tenha uma cultura comunicacional e reputacional forte e que conte com profissionais de comunicação em posições estratégicas. O porta-voz corporativo precisa treinar e precisa exercitar a sua competência. Assim, com muito treino e exposição, os executivos se tornam porta-vozes brilhantes. Cada qual com seu estilo.

Quando os recrutadores valorizam a boa comunicação como soft skill estão valorizando o uso estratégico da comunicação pelo candidato. É claro que a boa comunicação interpessoal é importante para todos nós seres humanos. Ela ajuda muito a convivência quando falamos com clareza, quando escrevemos corretamente e quando praticamos a escuta ativa nos diálogos. Isto vale para qualquer pessoa. Mas, o porta-voz corporativo é muito mais do que fazer uso da comunicação interpessoal ou ser uma pessoa extrovertida.

O porta-voz é aquele ou aquela executiva que aprende como comunicar valores e como conceder palavras de reconhecimento, como engajar a colaboração dos integrantes da corporação. O porta-voz entende como empregar a sua marca pessoal para a reputação profissional mais eficiente para crescer na sua carreira.

Agir como um porta-voz é primordial para o líder que deseja se tornar um exemplo para seus subordinados. E um bom porta-voz precisa de uma estrutura para agir. Necessita de uma equipe de comunicação da empresa, que disponibilize canais estratégicos para que possa transmitir a sua mensagem e garantir visibilidade para os valores da empresa entre os stakeholders, parceiros e colaboradores.

Planejamento de comunicação flexível

Não há como um porta-voz ter exposição sem ter um planejamento da empresa sobre os canais mais adequados, sem uma vocação da empresa para uma comunicação eficiente. Neste sentido, a pandemia foi uma prova de fogo para as empresas. Ela foi uma forma de colocar em cheque as empresas que não tinham uma comunicação flexível e adaptável aos cenários surpreendentes.

Outro ponto interessante é que a comunicação se realiza dentro de um processo. O processo comunicacional envolve a formação de profissionais comunicadores, a partir da criação de estruturas ágeis que promovam diálogos simétricos e produtivos entre equipes. A distância física entre profissionais, nos obrigou a ter uma rotina maior de diálogos virtuais. Isso foi muito positivo para estimular o relacionamento entre pares. O diálogo é um dos maiores incentivadores de líderes comunicadores. O diálogo é o processo que dissemina o exemplo e propaga valores entre os membros de uma organização.

Cada vez mais a credibilidade vem da humanização das relações. Uma liderança comunicadora faz brilhar os olhos de investidores, acionistas e potenciais sócios e novos consumidores.

Os líderes comunicadores transformam empresas comuns em empresas brilhantes

E os olhos dos stakeholders brilham quando o lucro, os diferenciais competitivos, as ações de sustentabilidade, a governança ética e os ativos intangíveis ganham visibilidade a partir dos canais de comunicação e nas vozes da liderança. Valorizando as ações das empresas.

Desta maneira, a expansão do negócio depende da comunicação. A Revista da Reputação aponta que um componente estratégico para o valor de mercado das “empresas-estrela é a reputação corporativa”. Em uma reportagem recente, a revista mostra que as organizações que conseguiram a valorização de suas ações na bolsa, apesar da pandemia, são as mais preocupadas com a reputação. Tal fato sugere que, mesmo diante de uma crise global, algumas empresas puderam aumentar o seu valor de mercado a partir do reconhecimento do trabalho social de suas marcas e capitalizando as suas práticas por meio da comunicação corporativa.

O sucesso reputacional e profissional depende de como as empresas e as lideranças vão olhar, daqui em diante, para a sua área de comunicação, como contratarão colaboradores e parceiros estratégicos de comunicação e sobretudo dependerá de como a visão social de seus líderes e a voz singular de seus profissionais comunicadores será eticamente aplicada.

Sobre a autora

Sheila Magri é jornalista, sócia-consultora de comunicação corporativa na Macob Comunicação . Conta com 25 anos de experiência em reputação corporativa, gerenciamento de crises e desenvolvimento de estratégias para engajamento de stakeholders de empresas. Foi CEO de agências multinacionais de Relações Públicas e Comunicação Estratégica. Treinou mais de quatro mil porta-vozes, entre eles: CEOs, CFOs, médicos, advogados, engenheiros, empreendedores sociais, diretores jurídicos, executivos de recursos humanos e de sustentabilidade, entre outros grupos de profissionais. Ministra palestras sobre storytelling profissional, reputação e valores corporativos.

É Mestre em Comunicação e Práticas do Consumo pela ESPM, onde estudou reputação profissional, valores e ética corporativa. É pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Ética, Comunicação e Consumo – GPECC na ESPM. É professora de cursos sobre análise de discursos. A autora também estudou Filosofia na Universidade de São Paulo e fez um curso de especialização em empreendedorismo para mulheres na EU Business School.

Artigo originalmente publicado no LinkedIn em 06/09/2020.

Por sheilamagri

Sócia-Consultora em Comunicação Corporativa e PR na MACOB | Especialista em Reputação 5.0 | Reputação Profissional | Mestre em Comunicação e Práticas do Consumo pela ESPM - MSc | Jornalista

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